segunda-feira, 3 de março de 2014

Superamigos Parte 3

Superamigos página 8
Um ponto alto do livro Superamigos é a hora do bolo, quando o caracol  assopra as velas. Vimos que na festa das crianças isso também é importante. Todos os alunos da turma já tiveram a oportunidade de ter uma festa de aniversário. Percebi que poderia fazer algumas relações entre a história e vida das crianças.

O que não pode faltar de jeito nenhum em uma festa de aniversário? Willian logo respondeu: O bolo!!!

O que estamos comemorando no dia do nosso aniversário? Maria Clara, muito sabichona e sem pestanejar disse: O dia que nós nascemos.

Quem sabe o dia do seu nascimento?
Um grupo na turma já sabia o dia do seu aniversário. Outros não.
Como podemos saber?
“Perguntando pra nossa mãe.”
E tem algum outro jeito?
“No documento!”

Levei para a sala  uma listagem com os nomes dos alunos e as datas de nascimentos. Dessa forma, todos puderam consultar. Quem já sabia se certificou e quem não sabia obteve a informação. Através desses dados, montamos o quadro de aniversariantes. Através desse painel, vários desafios puderam ser lançados:

Quantos meses o ano possui?
Qual o mês em que há maior quantidade de aniversariantes?
Em qual  mês  estamos?
Quantos meses já se passaram?
Quantos meses faltam para terminar o ano?
Tem algum mês em que não há aniversariantes?
Olhando a tabela podemos descobrir quantas crianças há na turma?




Neste dia, cada um foi dizendo a sua idade. Fui escrevendo no blocão. Refletimos muito sobre o traçado dos números 5, 6 e 7 com o intuito de escrevê-los corretamente. Completamos uma tabela com as idades de cada criança, mas ao invés de seguir os nomes na ordem, eu ia pedindo para procurarem: Onde está o nome da Samira?


Resolvemos comemorar os aniversariantes de janeiro e fevereiro fazendo um bolo para o lanche da tarde.  Como sempre acontece, as crianças ficam entusiasmadas. A receita é sempre bem vinda na sala de aula.  

Perguntei como se fazia um bolo. As crianças foram citando os ingredientes. Escrevi no quadro. Estavam todos certos, mas não disseram o quanto de cada ingrediente. Fui questionando... Quantos ovos? Quanto de margarina? Foi uma discussão, pois cada um falava uma coisa. Perguntei onde poderíamos saber essa informação com exatidão. Larissa citou o livro de receitas. Pra que serve a receita? Leonardo disse que era pra não esquecer. Mostrei os ingredientes de um pacote de mistura para bolo. Expliquei que no verso do pacote havia as instruções. Fui lendo e executando os passos. As crianças foram ajudando. Como Leonardo disse que a receita serve para não esquecermos, propus que copiassem para as mães. Todos aceitaram. Aproveitei para dizer que uma letra legível é importante, principalmente para o entendimento daquilo que está sendo lido.


Também  trabalhamos muito com a ideia de festa. O que há na festa? As crianças tinham o objetivo de buscar no banco de palavras os nomes corretos para as figuras.



Já começamos a trabalhar com problemas desafiadores. O primeiro dava dicas sobre um animal, cuja resposta era caracol. As dicas eram características que havíamos trabalhado em sala de aula. Todos tinham que adivinhar o bicho, desenhá-lo e escrever, segundo suas hipóteses, o nome caracol. O segundo problema desafiador era... Quantas antenas possui 3 caracóis? Através do desenho, muitas crianças conseguiram sem ajuda. 


Na roda de conversas, observamos alguns convites e pedi que os alunos dissessem o que não poderia faltar em um convite. Eles foram listando: motivo da comemoração, dia, hora e local. Cada criança preencheu seu próprio convite, utilizando a data real do seu nascimento. 


Em determinado momento Leonardo pergunta: Mas o que o caracol come?! Hum... Continua...


sábado, 1 de março de 2014

Poesia é pra encantar

Meus alunos gostaram tanto do caracol do livro Superamigos que pediam para que eu lesse outras vezes. Cada vez que viam o caracol andando no carro construído pelos amigos, ficavam muito felizes. “Olha só a antena dele!! A velocidade é tão grande que as antenas estão pra trás!” Vamos explorar mais esse caracol!

Eu já sabia que no Arquivo Alfabético Poético havia uma poesia sobre caracol. Como as crianças ainda não conheciam esse material, resolvi aproveitá-lo de imediato. O Arquivo alfabético poético foi uma ideia pensada pela Lica Araújo. Ela me propôs que fizéssemos juntas e eu gostei tanto da proposta que logo começamos a trabalhar nele. Eu tinha medo porque logo de cara percebi que seria um trabalho grande, mas via todas as possibilidades que poderia trazer para uma sala de aula. Um trabalho em dupla sim, mas feito todo através de conversas e envios pela Internet, pois a Lica é de Salvador e eu de Petrópolis!

 

 




O Arquivo Alfabético Poético, como o nome já diz, é um arquivo de poesias. Essas poesias fazem parte de livros onde há uma poesia para cada letra. Nós pesquisamos e encontramos vários! Depois de “pronto”, encontramos vários outros livros! Coloquei pronto entre aspas porque desde o início já dizia que este seria um “buraco sem fundo”, pois sempre há de se encontrar um livro poético de A a Z! Bem, as poesias eram escaneadas e transformadas em fichas.  O arquivo pode ser separado de duas formas: pelas letras do alfabeto e pelos próprios livros, através de cores.  Por que fazer fichas, já que possuíamos os livros? Porque nada como ter um material onde os alunos podem manusear e explorar de diferentes formas! É fantástico! Difícil foi arrumar uma caixa para ele! Tentei uma de madeira, mas ficou muito apertada. Atualmente, utilizo uma caixa plástica mesmo, mas ainda penso em ter uma caixa arquivo mais adequada.  A Lica Araújo conta isso com muitos detalhes no seu blog. Não deixe de ler:

Aqui tem muitas fotos do Arquivo:

Voltando para a sala de aula...

 

As crianças ficaram impressionadas ao ver o arquivo. Expliquei pra turma que aquela caixa estava cheia de poesias! Quem gosta de poesias? Todos levantam as mãos. E pra que serve a poesia? Pra gente ficar encantado, disse Gabriel. Eu é que fiquei encantada com a resposta! Expliquei ao grupo que durante o ano leríamos muitas poesias e que hoje tentaríamos achar uma que tivesse relação com algum animal do livro Superamigos. Qual animal vocês gostaram? "Caracol!!!" Mostrei a ordem alfabética através das letras e retirei todas as fichas com a letra C. li para o grupo as poesias. Eles gostaram de uma que é composta de uma frase apenas, cuja maioria das palavras é escrita com a letra C. “ Caio caiu com a cara no chão.” Muito bom para uma atividade de ordenação de palavras e para a reflexão das diferenças sonoras representadas pela letraC.  Achamos a poesia do caracol. Ela foi escrita pelo José de Nicola e como podemos ver pela ficha cinza (mostrei a capa do livro), foi retirada do livro Alfabetário.

CARACOL

CARGA CURIOSA
CARREGA O CARACOL
PELOS CAMPOS,
DEBAIXO DE SOL,
COBERTO DE PÓ:
CARNE E CASA
NUM CORPO SÓ.


Durante o intervalo colei  todas as palavras da poesia no quadro.  Quando chegaram, disse que montaríamos a poesia a partir da leitura da ficha. Relembrei as crianças que o título da poesia era Caracol. Qual seria a palavra caracol? As crianças já haviam trabalhado com a palavra caracol no dia anterior e foi fácil achar, mas havia duas. Poderíamos usar qualquer uma? Leonardo, muito esperto, disse que tinha que ser a maior porque era o nome da poesia! Gabriel disse que era o título e eu confirmei. Colei o título e continuamos.







Li a primeira palavra da poesia: carga. Com que letra começa carga? Tem o mesmo som de caracol.  Letra C!  Então vamos ver o que temos com a letra C? Olhem que lista enorme de palavras que começam com a letra C. E agora?

Como termina carga? Com A! Selecionamos as palavras possíveis, mas ainda tínhamos CURIOSA CASA CARGA e CARREGA. Maria Cecília disse que CA é C com A; então, descartamos CURIOSA. Leonardo disse que a segunda não era porque estava escrito CASA. Perguntei como sabia e ele respondeu que já conhecia essa palavra. Outras crianças também confirmaram. 


Sobrou CARGA e CARREGA. Li CARGA nas duas palavras. Maria disse que na segunda tinha que falar muito devagar e que deveria então ser a primeira. Thierry disse que CARGA era a primeira porque quando se fala carga “não escuta a letra E”.

Quando as palavras começavam com a letra C, voltávamos para a lista de palavras e todos iam tentando “descobrir” qual era a palavra certa através de suas hipóteses que já demonstram sinais avançados a respeito da sonoridade e da própria formação silábica. Dessa forma, todas as outras palavras foram sendo descobertas através das hipóteses de letra inicial, como em PELOS, final, como em CAMPOS, no meio, como em CARREGA. SÓ= S + O e PÓ= P + O.




Quando as palavras da poesia acabaram, ainda sobraram três palavras. E essas aí? – perguntei. Leonardo disse que a do meio era José. “Eu sei que essa é José!” Li José e os outros concordaram. O que um nome de pessoa estaria fazendo ali? Gabriel logo decifrou: “É o nome do homem que inventou a poesia!” 


Então vamos descobrir o nome completo dele... JOSÉ... DE.... Thierry começou a ler silabando e bem baixinho, pra ele mesmo... NI-CO-LA.... NI-CO-LA. Diga, Thierry, o que você leu!  “NICOLA”. A poesia estava completa. Aproveitei para reler várias vezes com eles, pois já estavam decorando o texto por termos trabalhado com as palavras. Assim, era uma oportunidade para relacionar o oral (fala), e a escrita (texto).



Cada criança recebeu seu próprio texto. Identificamos algumas palavras nele. Fizemos a leitura e cada criança foi lendo apontando com o dedo o que lia. Todos quiseram ilustrar suas poesias. Depois cada criança fez seu caracol para o nosso cartaz.     


Foi uma atividade muito linda para as primeiras semanas de aula. Isso mostra que a capacidade das crianças é muito grande quando se acredita nelas. E isso acontece realmente na Educação Infantil da Creche Arco-Íris e na Escola de Educação Integral Padre Quinha, ambas  vinculadas ao Centro Educacional Santa Terezinha, através do trabalho das professoras Carla, Tamires, Ana Paula, Jaqueline, Tania, Marcela e Daiana. Parabéns pra vocês! O mérito é de todas nós que acreditamos no que fazemos e estudamos para que nosso trabalho seja sempre de qualidade. 

Em tempos de muitas discussões sobre a idade correta para se alfabetizar, acredito, que o trabalho começa cedo, bem cedo, quando, por exemplo,  uma mãe zelosa, lê uma história para seu filho. Quando os pais leem ou escrevem uma lista de compras, por exemplo.

Entretanto, é na escola, que as crianças são inseridas no processo de pensamento sobre o letramento, pois no mundo letrado já vivem desde que nascem, mas pensar sobre ele, para muitas, somente na escola. Essa vivência precisa começar na Educação Infantil porque a criança traz muitos conhecimentos para dentro da sala de aula, ela pensa, produz e é capaz. É garantindo isso que se permite que crianças cheguem ao primeiro ano com condições de participar ativamente, logo de início, de atividades como essas. É lendo e escrevendo que se aprende a ler e escrever!


Ana Antunes

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Superamigos Parte 2

Como citei no post anterior, as crianças gostaram e se identificaram bastante com o livro Superamigos. Aproveitei a oportunidade para desenvolver atividades que os alunos pudessem pensar sobre os nomes, as letras iniciais, as letras finais e muito mais. Veja algumas dessas atividades.


As crianças receberam as letras juntas. Tiveram que recortar e pensar na letra inicial de cada animal. Enquanto cortavam eu ia passeando pelas mesas para perguntar aos alunos o nome das iniciais. Desde o início trabalho sempre com todas as letras. Neste caso, a lista dos animais da história ajuda muito, pois eram conhecidos pelos alunos.


Aqui o objetivo era o mesmo, mas com um nível maior de desafio, pois tinham que identificá-las em meio a outras letras.


Como as crianças já identificam as iniciais é totalmente viável reconhecer os nomes. Nesta circunstância ainda podemos fazer perguntas do tipo: Quais animais possuem 4 letras? Se caracol e castor começam de forma igual, como podemos identificar corretamente seus nomes? 
Colocamos as imagens dos animais no quadro de letras.





Coletivamente criamos uma frase para cada animal. No dia seguinte, levei as palavras e as colei no quadro. Fomos relembrando cada frase. Eu dizia a palavra e os alunos tinham que identificá-la no quadro. Quem conseguia achar, levantava e mostrava onde estava para o grupo.  As frases foram coladas no blocão.  Cada criança também leu em sua própria folha, além de circular os nomes dos animais.

Reflexão sobre as letras finais
Faltando letras






Cada criança recebeu uma folha de cartolina com os nomes dos animais. Ao lado um espaço vazio. Eles tiveram que identificar o nome do animal e desenhá-lo ao  lado. Após esse trabalho, todos pintaram e recortaram. Esse material se transformou em um jogo de memória (figura/palavra). Eles brincaram na sala de aula e levaram para casa para jogar com os familiares. 

Ler o nome do animal e desenhá-lo



Caracol feito com massa

Essas atividades foram bem intensas e as crianças interagiram bastante. Mas ainda vem mais coisas por aí. Aguarde!

Continua...






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Superamigos Parte 1


Queria ler algum livro para as crianças em que o tema  fosse amizade para continuar estreitando os laços do meu novo grupo.  Procurei no acervo do Pnaic e achei um interessante:  Superamigos, de Fiona Rempt e Noëlle Smit, Manati Produções Editoriais.  Li o livro (Ah, sim, professor tem que ler o livro antes de usá-lo com a turma. Não vale pegar qualquer um, de última hora) e gostei.

O livro conta a história de um caracol que possui um grupo de amigos (sapo, pato, formiga, toupeira, castor e esquilo).  Eles sempre brincam juntos, mas o caracol nunca consegue brincar porque anda muito devagar. No dia do aniversário do caracol, há uma festa e cada bicho dá um presente estranho para o aniversariante. Ao terminar a entrega dos presentes, eles colocam a "mão na massa” e constroem um carro para ele.. O caracol fica muito emocionado e consegue brincar como nunca!  Todas as crianças perceberam o valor da amizade, de fazer o bem ao próximo. "Eles são amigos de verdade!" Refletimos o que amigos de verdade fazem uns pelos outros e concluímos que precisamos seguir o exemplo e como é bom saber que as pessoas se preocupam conosco e conhecem nossos desejos.

A leitura desse livro aconteceu no segundo dia de aula. Os alunos gostaram tanto que vi uma oportunidade para explorar o livro.  Resolvi aproveitar os personagens para reflexão da letra inicial. Como estávamos na primeira semana de aula, resolvi arriscar, pois não sabia qual seria o resultado.  Comecei a perguntar a letra inicial de cada bicho. Quase todos  os alunos acertaram os nomes das letras. Percebi que poderia ir em frente.

A sensação mesmo foi o caracol! Todos gostaram muito dele, foi o preferido numa votação.  As crianças o desenharam e ordenaram as letras para formar seu nome, mas antes, fizemos oralmente a reflexão de como essa palavra é escrita. Analisando os sons que saem da nossa boca ao emitir a palavra.

Continua...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mudanças à vista!

Na sala do primeiro ano há muitos livros! Normalmente eles ficam numa estante do tipo sapateira que não comporta uma quantidade muito grande, mas gosto porque  eles ficam de frente e chamam a atenção das crianças.

Este ano resolvi inovar um pouco: menos livros, mais qualidade e mais participação!  No início das aulas deixei a estante vazia. Foi de propósito. Desejo que esse espaço seja incorporado pelas crianças e não seja algo “da professora”.   

Coloquei uma pequena estante com caixas plásticas com diversos livros. Quinzenalmente os alunos terão a oportunidade de renovar o acervo. Depois que Maria Luiza perguntou o motivo da estante vazia, expliquei que aquele espaço era também deles e que deveriam opinar sobre quais materiais deveriam estar ali.   Coloquei as caixas no chão e cada aluno escolheu o livro que deveria ir para a estante.  Durante as próximas duas semanas, as crianças terão horários para  consultar os livros, falar sobre eles e até levá-los para casa nos empréstimos. Sendo assim, nesses quinze dias o acervo poderá ser explorado por todos. Penso que é importante ter momentos determinados pelo professor para o uso dos livros. Caso contrário, nem todas as crianças conseguem aproveitar o canto da leitura. Além disso, com o horário já determinado é possível refletir, no planejamento, o uso deste espaço. Também acredito na flexibilidade. É possível usá-lo em momentos impensados, quando algumas crianças terminam as tarefas antes das outras, como comumente é feito,  mas certamente ele pode ser melhor aproveitado. É fundamental que os alunos possam, em algum momento, ter a liberdade de escolher o que desejam ler ou explorar. Isso certamente permitirá que as crianças comecem a julgar os materiais que escolhem e que conversem de forma natural sobre suas escolhas, inclusive sugerindo livros aos seus colegas.

Começamos com os livros que já fazem parte do acervo da sala de aula. Um trabalho muito importante  será o de conscientização sobre a utilização correta e o cuidado com nossos livros. Após a primeira experiência incluirei os livros do acervo Trilhas e Pnaic.

Diante dos livros escolhidos, também poderei dinamizar atividades a partir de algum livro que favoreça o desenvolvimento do  meu planejamento.  Alguns desses livros temos quantidade suficiente para que cada um esteja com um exemplar. Dessa forma, é possível que cada aluno leve o livro para a mesa e acompanhe uma leitura, por exemplo.

Como início da experiência posso afirmar que as crianças gostaram de mexer nas caixas, apesar de um pouco de inibição, falta de pertencimento! Mas isso logo, logo vai acabar... Hum... Alguém escolheu Festa no céu!!!!


Até mais!











segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Trabalhando com nomes próprios

A turma do primeiro ano da escola de Educação Integral Padre Quinha é sempre formada por alunos provenientes da Creche Arco-Íris, dos alunos do 3° período da nossa própria escola e de outras creches de Itaipava. 

A relação das crianças com suas creches ou escolas é sempre muito intensa e as crianças mantém um elo muito forte com essas instituições. Isso significa que são estabelecimentos muito agradáveis e que procuram valorizar ao máximo as crianças que ali frequentam.  Além disso, as crianças que moram no Vale do Cuiabá frequentam o Centro Educacional Santa Terezinha e conhecem bastante a nossa escola.

Minha função inicial, como professora do 1° ano é a de adaptá-las ao novo ambiente, além de estabelecer uma integração entre todas as crianças, formando assim um novo grupo. As crianças que já são da escola recebem muito bem as outras e dessa forma logo se cria uma atmosfera muito boa.


No primeiro dia de aula, após as apresentações de praxe, sentamos em roda e fomos conversar um pouco... Perguntei para as crianças o porquê de tantas crianças terem se juntado aqui neste grupo.  Muito seguros, as respostas foram muito interessantes:

“Nós mudamos de ano e não podemos mais ficar na creche.” Francisco
“Deixa eu explicar melhor: A idade da gente não era mais pra lá. Nossa mãe “botou” a gente aqui porque é uma boa escola.” Gabriel
“Botou não, colocou, né?” Felipe
“E o que nós vamos fazer aqui nesta sala, nesta turma?” Ana
“Nós vamos aprender a ler e escrever.” (Larissa)
“Desenhar.” Maria Luisa
“Cortar” Luis Felipe
“Ouvir e ler histórias. “ Leonardo
“Arrumar as mochilas, deixar a sala limpa e arrumada. Organizar coisas como um passeio ou uma festa. A gente pode ir “no” Bramil pra comprar alguma coisa.” Leonardo

Como muitas crianças vieram da creche, propus conhecer mais a escola e as pessoas que trabalham aqui. Fomos até a sala da Educação Infantil e conhecemos as crianças e a professora Carla. Depois fomos ao refeitório. Maria Helena conversou com as crianças sobre  a merenda. Na saída, encontramos a Madalena que nos mostrou os banheiros e conversou com eles sobre a limpeza dos mesmos. Conhecemos as outras salas de aulas e as professoras. Fomos até o auditório onde o Ariel estava dando aula de teatro. Ao descermos, encontramos o Silvio que conversou sobre a manutenção do jardim e sobre os cuidados com as plantas. Fomos para a casa de leitura. Expliquei a função da Carol que é auxiliar na Casa de leitura e Cida conversou com o grupo sobre a limpeza da escola.  

A formação de um novo grupo possibilita a continuidade do trabalho com os nomes próprios. Como primeira atividade, cada criança falou o nome e contou um pouco sobre a escola de onde veio. Os alunos que já eram nossos contaram também um pouco sobre a nossa escola. Essa é uma oportunidade para que cada um relembre fatos interessantes e sinta-se seguro para se expressar já que estariam falando de algo que lhe é bem familiar.

Fizemos um jogo de adivinhas. Utilizei fichas com os nomes. Mostrando apenas a letra inicial ou final, as crianças tinham que descobrir através de hipóteses, o nome escondido. Essa atividade é bastante interessante, pois aguça o pensamento a partir de várias possibilidades. Por exemplo: começa com M... Os alunos refletem sobre as possíveis respostas... Maria Luiza, Maria Cecília, Melissa... Assim vamos dando novas dicas, como a segunda letra, a penúltima, até que se acerte. É interessante que o professor não facilite. De acordo com o exemplo acima, mostrei a última letra, pois dessa forma ainda teríamos três possibilidades de respostas e continuamos tendo necessidades de buscar novas dicas. O professor pode ir perguntando... Se for Maria, qual será a segunda letra? E se for Melissa? Mesmo no primeiro ano, esta atividade foi desafiadora, pois o grupo é novo e a incorporação de novos nomes à turma gerou situações para pensar.


Com estas fichas fizemos listas de crianças vindas da creche Arco-íris, creche Piuí e Escola Padre Quinha. Os alunos leram as listas e identificaram nomes. Esta atividade se tornou uma atividade feita em folha, onde escrevemos os nomes nas “caixas” apropriadas. Também contamos a quantidade de crianças.







 Entreguei uma foto do rosto para que as crianças criassem um corpo com moldes. Nessa atividade fui observando quais os alunos que possuem boa coordenação motora para traçar, recortar e colar. Cada um fez seu trabalho que coletivamente, transformou-se num belo painel de crianças. 

Em outra oportunidade, cada um sorteou o nome de um amigo. Após o sorteio precisava pensar e identificar o nome sorteado. Quando conseguia, colava na camisa do amigo no painel. Aproveitei esse sorteio para trabalhar com letra inicial e letra final. Dessa forma, é possível trabalharmos de forma significativa com as letras do alfabeto.  








Depois que todas as crianças estavam integradas, cada um fez o seu próprio desenho e com eles construímos um gráfico intitulado De onde viemos? Através desse gráfico, tivemos a oportunidade de fazermos contagens: Quantos vieram da creche Arco-ìris? Quantos já eram da escola? Quantos vieram de outras creches? Quantos alunos nossa turma possui? Quantos são meninos? Quantas são meninas? Vamos formas esses conjuntos no pátio?


Essas são atividades bem simples, porém gosto muito delas por um simples motivo: funcionam! Os alunos colocam em jogo seus conhecimentos e é possível diversificar e fazer desdobramentos. Em breve, mais atividades utilizando os nomes das crianças. E você, sabe alguma? 

Um abraço, 
Ana Antunes