quarta-feira, 10 de abril de 2013

Quem comeu o cocô da vaca amarela?




VACA AMARELA 
FEZ COCÔ NA PANELA 
CABRITO MEXEU, MEXEU
QUEM FALAR PRIMEIRO
COMEU O COCÔ DELA.


Sérgio Capparelli, em Boi da cara preta








Propus ao grupo do primeiro ano a brincadeira da Vaca Amarela. Cada criança foi falando como conhecia. Apareceram algumas variações, mas todas elas em torno do cocô da vaca! Li a versão completa de Sérgio Capparelli e propus que brincássemos com a primeira parte. Todos quiseram participar. 



Inusitado foi quando falei que tínhamos o cocô da vaca! Emanuel ficou tão preocupado que nem se deu conta que o cocô era de chocolate! Utilizei o Bis que vem numa embalagem parecida com um copo. Sabe qual? Pois é, foi perfeito! Todas as crianças quiseram ser solidários com os "falantes", ajudando-os a comerem! Enquanto brincavam... Que chato... Decoraram a parlenda!

 Identificando palavras na primeira parte da parlenda:



Ordenando versos da parlenda:

Oportunidade para identificar os versos através de alguma palavra já conhecida, por uma letra ou até mesmo pelo tamanho do verso... 
Oportunidade também para conferir, através do texto original e da própria leitura, se todos os versos estão ordenados corretamente.





Ordenando palavras para formar a parlenda:

Oportunidade para pensar na letra inicial. E quando duas começam com a mesma letra, como PANELA E PRIMEIRO o jeito é pensar na letra que termina ou alguma outra letra que a identifique: "Panela tem L!"


Usando letras móveis...

Organizei trios para a execução desta tarefa. Tive a preocupação de agrupá-los por hipóteses aproximadas de escrita. Durante a atividade fui passando pelos grupos e intervindo. "MA... M com?" Um responde M, outro, ao mesmo tempo, responde A. Fica a questão: Pode ser as duas...  Tem sempre alguém que responde...

Como eles já tinham entrado em contato várias vezes com o texto identificando palavras e lendo com o dedo para ajustar o falado ao escrito, algumas palavras, como QUEM e PRIMEIRO, apesar de mais "difíceis", já sabiam que uma começava com Q e que a outra tinha um R para fazer PRI. Além disso, já tínhamos conversado e analisado fonologicamente o texto. 




Lateralidade

Cantar e brincar: É disso que o povo gosta! 
Transforme momentos "obrigatórios", como a fila, em momentos mais agradáveis e ainda crie   oportunidade de aprendizagem.
É assim que estou trabalhando a lateralidade com as crianças. Como muitos ainda não identificavam direita e esquerda,  vamos cantando, brincando e descobrindo. É só ir cantando e nos momentos de direita e esquerda combinar a parte do corpo que será mostrada para  estas direções:  mãos, pés, cotovelos, cabeça, joelhos e até a língua!

NÓS ANDAMOS IGUAIS!
NÓS ANDAMOS IGUAIS!
DIREITA...
ESQUERDA...







 Registrando...





quinta-feira, 28 de março de 2013

kit Cambaxirra

Este post é para quem gosta de uma história acumulativa! Se não conhece, acredite, vale a pena!!


No ano passado trabalhei com esse gênero com os alunos do primeiro ano. Eles gostaram muito, pois a interação da criança com o texto é imediata! Certamente vale para as outras turmas também! Aproveitando a motivação da criançada criamos um material bem bonito de se ver e gostoso de se usar. 

Lembrando que, por si só, a leitura das histórias já cumprem seu papel social: o próprio deleite dos leitores de fato ou dos ouvintes. Entretanto, é possível, através delas, planejar  situações de aprendizagem bem significativas.








Leia o registro do trabalho em:
http://www.slideshare.net/AnaLuciaAntunes/histrias-acumulativas-registro

Veja mais fotos do material:
https://plus.google.com/photos/108078716655206599526/albums/5802591899773548625?banner=pwa

Conheça tudo sobre esse gênero no blog da Lica:
http://www.oficinasdealfabetizacao.blogspot.com.br/2012/11/historias-cumulativas-e-leitura.html

domingo, 24 de março de 2013

Quem procura... Matemática acha!



 Coelho, sai da toca!

No pátio, desenhem círculos, que serão as tocas.
Cada aluno deverá ficar dentro de uma toca, menos um aluno, que será o pegador. Ele fica no meio das tocas.
Quando a professora disser “Coelho, sai da toca!” todos devem trocar de toca.
O pegador tenta pegar uma toca para ele mesmo. Se ele conseguir, o aluno sem toca passará a ser o pegador.
Ganha a brincadeira quem for o pegador menos vezes.


A leitura, em sala de aula, de textos instrucionais é importante, pois necessita por parte do leitor,  atenção para executar uma tarefa. Nem sempre nossos alunos demonstram essa habilidade facilmente. É no dia a dia que ela se desenvolve através de atividades que necessitam diretamente dessa capacidade.





Dia desses, brincamos de Coelho, sai da toca! Primeiramente, lemos algumas vezes as instruções da brincadeira para que todos pudessem compreender o jogo. Após, fomos ao pátio e começamos a resgatar oralmente o que deveria ser feito. Foi interessante como todos participaram com bastante interação e alegria.





Ao terminar o jogo, as crianças fizeram registros:




Outra coisa bem legal que fizemos foi buscar uma relação entre a brincadeira e um quadro de Kandinsky (Alguns Círculos). Eles observaram que em ambos os casos havia a presença de círculos. A Matemática estava presente na Arte e na brincadeira. Dessa forma, refletimos: Onde mais a Matemática pode estar escondida? A partir desta questão “problema” temos algo para solucionar. Foi daí que surgiu o Projeto: Quem procura... Matemática acha!
Finalmente achamos nossa questão problema, pois ela é o fio condutor do trabalho com Projetos, como diz Hernández:

“Saber encontrar esse problema é possivelmente uma das tarefas mais complexas e que requer maior flexibilidade no momento de trabalhar com Projetos, pois reclama não só termos claros os fundamentos da teoria que os sustenta (globalização, aprendizagem significativa, avaliação formativa, interpretação das interações na sala de aula, caráter aberto do planejamento), mas também possuir um certo hábito de refletir sobre a prática e muito especialmente saber que o Projeto é, em última instância, uma desculpa para que o aluno realize sua própria aprendizagem.”

Um projeto parte sempre de um problema. Se não há problema, por que pesquisá-lo?
A partir de então, cada criança lançou sua hipótese de onde estaria escondida a Matemática:
No calendário, na casa, na escola, na internet, nas máquinas, nos jogos, nos objetos, no céu, na borboleta, no nosso pensamento, na música, nos livros, nas atividades, no elevador, na natureza...

Cada hipótese dessas será explorada. Lógico que há Matemática em tudo isso, mas a intenção é ir além... Buscar a sistematização de alguns outros conteúdos “escondidos”!

Andre, por exemplo, ao falar da presença da Matemática na borboleta, quis dizer que viu uma borboleta que tinha o numeral 88 nas asas. Mas, ao explorarmos mais essa hipótese poderemos encontrar, quem sabe, a simetria, logo, uma  Matemática escondida!

A ideia inicial é essa! A aventura está apenas começando!



Alguns Círculos   Kandinsky

Estamos "de olho"!





Bibliografia:
HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat A organização do currículo por projetos de trabalho. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. 5. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.


domingo, 10 de março de 2013

Recebendo uma visita


      Uma visita inesperada apareceu na turma do primeiro ano no início do mês. Depois de algumas correspondências, a galinha ruiva veio fazer um bolo de fubá com as crianças.  Ela disse ao grupo que é muito importante seguir todos os passos da receita para que o bolo fique bem gostoso! A criançada ajudou a medir, contar e todos quiseram usar a batedeira. 






       
        Todas as crianças, lógico, me reconheceram, mas foi interessante como muitas entraram no mundo do faz-de-conta e começaram a perguntar onde a galinha morava, quantos pintinhos tinha, se poderiam ir até a granja para visitá-la! Foram momentos bem divertidos! Quando voltei para a sala de aula fizeram questão de contar tudo o que havia se passado em minha ausência! 
        Crianças adoram cozinhar! Cozinhar é uma arte e envolve muita matemática. Podemos usar e abusar desse recurso em sala de aula. Existem muitas receitas até que não precisam de fogão. Existem também vários livros, como Dona Benta para crianças, da Editora Globo,  A cozinha da Maria Farinha, de José de Castro, Poemas e comidinhas, de Roseana Murray, Fogãozinho- Culinária infantil em histórias, de Frei Betto e Maria Stella Libanio Christo, e tantos outros...
         Caso conheça algum, deixe um recadinho aqui e aumente nossas possibilidades!

sábado, 9 de março de 2013

Usando textos informativos


          Eu sempre adorei trabalhar com textos informativos com minhas turmas. Mesmo com turmas iniciais, de primeiro ano! Isso é importante, pois demonstramos a eles o comportamento leitor, como ler da esquerda para a direita, as entonações, as pausas que dão sentido, a leitura fluente e a própria leitura interpretativa. De vez em quando, eu peço que acompanhem com o dedo. É interessante observá-los! Alguns param quando você dá uma pausa, outros mais avançados tentam procurar a palavra que está dizendo. Isso já faz parte do processo de aprendizagem da leitura. Já lhes é permitido “ler” o texto.
            De tantas leituras de textos informativos os alunos compreendem as características do gênero e passam a criá-los. No início, nós professores, somos escribas. Criamos textos coletivos, onde todos contribuem oralmente, com ideias.
            Ao longo do processo, os alunos podem criar seus próprios textos gerando material riquíssimo para revisão textual. Todos contribuem, todos aprendem.
            O texto abaixo foi retirado de uma apostila antiga, que não cita a fonte do mesmo. Instiguei a criançada a pensar sobre como a pipoca estoura... Depois de algumas hipóteses, lemos o texto e fizemos novas descobertas.
            Um aluno disse: “Ah, por isso que faz barulho! É a bolha de ar estourando!”

VOCÊ SABE POR QUE O MILHO PARA PIPOCA ESTOURA?

          O MILHO PARA PIPOCA, ALÉM DE SER BEM DURO, GUARDA DENTRO DELE PEQUENAS BOLHAS DE AR.
          QUANDO O MILHO ESQUENTA, ESTE AR SE EXPANDE, PRESSIONANDO FORTEMENTE AS PAREDES RESISTENTES DAS PEQUENAS BOLHAS, ATÉ ELAS SE ROMPEREM, TRANSFORMANDO-SE EM DELICIOSAS PIPOCAS BRANQUINHAS, LEVES E MACIAS.



* Descobri que a autoria do texto é da Ciência Hoje das Crianças.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Jogo da Toupeira


UTILIZANDO A LITERATURA INFANTIL NA CONSTRUÇÃO DE APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS


Para agradar em cheio nossos novos alunos da classe de alfabetização, nada como utilizar o livro “Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça dela”, de Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch. Conheci esse livro por indicação de Lica Araújo, que é sempre cheia de ideias e novidades.

No livro, a toupeira passa o tempo todo procurando quem fez cocô em sua cabeça quando saía da sua toca e, por meio das conversas e análises dos formatos dos cocôs de vários bichos, chega, com a ajuda de duas moscas, à conclusão de que foi o cachorro o responsável pelo acontecido e, inclusive, “dá o troco” no mesmo. Ao conhecê-lo, percebi logo que seria um excelente material de trabalho.

Através do livro, as crianças entrarão em contato com diversos animais: toupeira, lebre, mosca, cabra, cachorro, porco, vaca, cavalo e pomba. É importante que o professor trabalhe inicialmente com o portador original do texto: o LIVRO.  Em “A Importância do Ato de Ler”, Paulo Freire afirma que a leitura do mundo é anterior à leitura da palavra e que TODOS trazem consigo sua experiência de vida para compor essa leitura.

É fato que as crianças chegam à escola cheias de receios e também de expectativas para saberem quem será seu professor, quais atividades farão e afoitas para aprender a ler e a escrever. É importante ressaltar que todas possuem suas hipóteses em relação ao processo de leitura e de escrita, as quais, certamente, não são iguais umas das outras. Podemos também encontrar crianças que nunca frequentaram a escola e estejam num processo bem inicial em que haja o desconhecimento das letras do alfabeto, bem como o nome das mesmas, por exemplo. É importante ter em mente que o grupo é sempre heterogêneo, mas que isso é, na verdade, um fator importante para gerar aprendizagem no grupo e trabalhar com as necessidades de cada criança, na tão conhecida zona de desenvolvimento proximal, conforme descrita por Vygotsky.

Pensando dessa forma, o livro poderá ajudar o professor a garantir um ambiente bem agradável e descontraído, pois a história chama a atenção das crianças que gostam desses assuntos “nojentos” e divertem-se bastante. Paralelamente, muitas reflexões sobre o sistema de escrita poderão ser oferecidas, como fazer pseudoleituras dos nomes dos animais, relacionando-os aos seus próprios nomes, contar e reconhecer a qual animal os cocôs pertencem, estimulando-os a expressarem-se oralmente, identificar sons iniciais e finais dos bichos, além de nos ajudar a fazermos as sondagens iniciais tão importantes nesse momento.

JOGO: CORRIDA DAS INICIAIS


Para identificação de algumas letras iniciais montei o jogo: “Corrida das Iniciais”. Este é constituído de um tabuleiro, marcadores e um dado.

Para o jogo escolhi 6 animais do livro cujas iniciais são diferentes umas das outras.






T= toupeira
L= lebre
M= mosca
C= cachorro
P= pomba
V= vaca

Usamos um dado e, em cada face, a letra inicial de cada bicho.


O tabuleiro possui um percurso (saída/chegada), composto pelas imagens dos bichos escolhidos para o jogo. Para formar o percurso, as imagens foram coladas aleatoriamente, tomando-se o cuidado para que o mesmo animal não apareça um ao lado do outro. Como são seis bichos, serão necessários cinco conjuntos de bichos:

Para jogar, cada participante coloca seu marcador na saída e escolhe-se quem será o primeiro a lançar o dado. O jogador joga o dado e avança para a primeira figura que começa com a letra sorteada e passa a vez para o próximo jogador. Vence o jogo aquele que alcançar o final do percurso.

Para que as crianças consigam jogar, é necessário que estejam familiarizados com os animais da história através de atividades anteriores e principalmente através da exploração do livro em si.

O objetivo do jogo, ao lançar o dado, é refletir à qual animal pertence aquela letra, ou seja, T é de toupeira, M é de mosca.

Novas reflexões podem ser exploradas após o jogo ou em outros momentos, como: Com que letra começa a palavra cachorro? Em nossa turma tem alguém cujo nome comece com essa letra? Quais objetos na sala começam com a letra “T” de toupeira? Dentre os objetos que estão na mesa, quais são os que terminam do mesmo jeito que “mosca”?

Alfabetizar dentro de um contexto letrado faz com que a criança possa explorar seus conhecimentos prévios, além de aprender com outras crianças do grupo. Utilizar livros de literatura infantil e propor situações a partir destes, torna o ambiente alfabetizador propício às descobertas e aprendizagens totalmente significativas.

Ana Antunes