terça-feira, 23 de julho de 2013

Mãe dá o que falar... Escrever e contar!

Vou compartilhar um trabalho que realizei em maio. Não postei antes pela falta de tempo. Ah, isso todo mundo entende, né? Principalmente quem é professor! Como foi algo bem significativo para as crianças, resolvi escrever, mesmo atrasado. 



Ao longo do tempo, através de muitas experiências e leituras, fui percebendo e aprendendo que o trabalho com datas comemorativas não atende às expectativas das crianças neste mundo tão moderno e cheio de informações. O que as crianças querem e necessitam é inter-relacionar seus conhecimentos, suas vivências, pesquisar novas fontes e aprender coisas que realmente façam sentido para elas. A mãe, apesar de constituir-se quase num tema gerador,  é uma fonte de sabedoria e riqueza quando se trata de buscar sentido no que se aprende. Sendo assim, em maio, trabalho com vários livros e textos, onde aparecem diversas mães em contextos variados.

Também é uma boa oportunidade para lermos e escrevermos diferentes listas com sentido. A primeira delas é a lista dos nomes das mães. Cada criança, orgulhosamente, diz o nome da sua, mesmo aquelas, criadas carinhosamente pelas avós ou tias (novo assunto para discussão), não se sentem incomodadas. Cada menino ou menina tem o prazer de identificar o nome da sua e acabam conhecendo e identificando os nomes das outras mães.

Parte muito importante do trabalho é o desenho delas. Cada criança sente a responsabilidade de desenhá-la com muito capricho: muitos vestidos, lindos penteados e muitos corações são sempre esperados. As crianças também podem levar fotos para construirmos, juntos, um mural.

Durante este período fazemos muitos recortes de revistas: um presente, roupas que a mãe gosta, o que a mãe gosta de comer, o que gosta de fazer. A cada recorte uma escrita de listas e novas oportunidades para refletirmos sobre o sistema de escrita. “Como é que se escreve CALÇA?” Também é bem conveniente levarmos listas de palavras para que as crianças leiam e coloquem em ação suas estratégias.




Aqui fizemos diferenciação entre palavras e frases

  
 Neste ano,  selecionei alguns livros e textos para serem lidos em sala de aula. Comecei com o livro Macaco Danado. É um livro que conheci através da minha amiga Lica. Ele conta a história de um macaquinho que perde a sua mãe e a borboleta tenta ajudar na procura, mas ela não compreende que o filho é parecido fisicamente com a mãe, afinal seu filhotes, as lagartas, não se parecem em nada com ela. Desse livro, a própria Lica construiu um material bem bacana que também construí para trabalhar com meus alunos. Esse material também foi explorado pelas crianças.

kit idealizado pela Lica

outras fotos do kit:
https://plus.google.com/photos/108078716655206599526/albums/5696074188071008257?banner=pwa
Tive o prazer, quando adolescente, de conhecer a Sylvia Orthof! Que pessoa maravilhosa e quanta alegria e energia que contagiava a todos.

“Se a terra fosse mãe, seria mãe das sementes, pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente. “




“Se as coisas fossem mães” é um livro que possibilita muita interação com o leitor. As crianças “pegam o espírito da coisa” e começam a inferir, descobrir quem seriam os filhos das diferentes mães. É um livro muito gostoso e também vale um kit que ainda não fiz!







Outro livro que utilizei foi “Mãe”, de Guto Lins!

“Mãe não é uma, são várias. É tia, avó, madrinha, colo, país, plateia... O que mãe quer mesmo é só o melhor para os filhos. Nesse livro, conhecemos os detalhes, as preocupações e as alegrias do universo materno, carinhosamente escritos e ilustrados por Guto Lins. Mãe faz parte da Coleção Família, uma família de livros, uma família que encanta e emociona.”


Como já lemos algumas receitas em sala de aula e já pensando num presente... Levei uma receita. Ao entregar o texto para os alunos perguntei se sabiam que tipo de texto era aquele. Ana Clara, mesmo ainda sem ler convencionalmente, disparou: “Isso é uma receita! Tem a palavra ingredientes e também... modo de fazer!”  Todos concordaram! Eu certifiquei ao grupo que se tratava de uma receita, mas fiz um trato: se eles me dissessem qual era o título da receita, faríamos de presente para as mães. Com uma motivação dessas e com crianças na turma, cujas experiências com a leitura já estão mais avançadas, logo conseguiram saber que se tratava de um texto instrucional para fazer Biscoitos Amanteigados. Todos ficaram muito felizes. O trabalho com a receita também foi muito gratificante.





Depois da receita pronta tínhamos um grande desafio: Quantos biscoitos cada criança deveria ganhar?

Como proposta, prontamente aceita, cada criança seria representada por um copo e os biscoitos seriam distribuídos, um a um, até terminar os biscoitos. Dessa forma, algumas crianças foram convidadas a separar os biscoitos e as outras serviram de fiscais para ver se o trabalho estava sendo bem executado. Após a distribuição refletimos sobre essa divisão para concluirmos que o todo foi dividido em partes iguais. Quanta Matemática! Cada um registrou essa divisão e anotou a receita para a sua mãe.





 Mãe é amor! E sendo assim, não podia faltar uma poesia! Cecília Meireles, grande escritora, me emprestou A flor amarela. Essa poesia foi recitada, lida, desenhada, ordenada e entregue para as mães numa grande surpresa em sala de aula.


Envelopes destinados às mães na sala de aula

Foi um sucesso! Todas as mães gostaram muito e as crianças também gostaram de participar das atividades. 
Certamente você deve estar pensando em muitas outras atividades e ideias, mas esse é o verdadeiro "espírito da coisa": gostar e usar, ampliar, criar novas ideias e multiplicar. Assim se faz EducAção! 







3 comentários:

  1. Nossa Ana, como sempre adoro suas ideias!

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  2. Oi Berlinda!
    Que bom que você gosta. A ideia aqui é fazer coisas que as crianças gostem e que tenham sentido para elas.
    Fico muito feliz pelo seu comentário. Obrigada e volte sempre!
    Beijos,
    Ana

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