segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Descobrindo o que é ÓPERA!!!!!

Nesta semana (início de setembro), tivemos dois encontros na “Casa de leitura”.  Na primeira mediação, Bruna retomou os conceitos ligados à orquestra. A atividade consistia em emparelhar imagens e palavras (maestro, partitura, orquestra, notas musicais...). As crianças mostraram que tinham aprendido realmente muitas coisas. Mas, antes de iniciarem a atividade, tinham que decifrar a resposta de uma adivinha para abrir uma caixa surpresa, cujo conteúdo era um chapéu chinês.



Na atividade, as crianças sorteavam palavras, que tinham como desafio ler com autonomia, e emparelhavam às figuras correspondentes. Além de ler e emparelhar, tinham que explicar o que entenderam.





Depois, pediu que uma criança explicasse o que era o COMPOSITOR.  As crianças juntas logo foram dizendo que o “compositor compunha as músicas”.  Bruna retomou a música “Nessun Dorma”. Disse que mostraria a eles o compositor Giacomo Puccini. As crianças ouviram atentamente as informações sobre ele. Bruna mostrou a imagem de três de suas obras: Tosca, Madama Buterfly e Turandot. As duas últimas chamaram muita atenção das crianças que ficaram intrigadas. Camily disse que estava achando aquilo estranho porque a mulher da imagem de Madama Buterfly tinha o cabelo e a roupa de uma chinesa e a de Turandot também. Hum.... Após essa aula, as crianças conseguiram conhecer melhor o trabalho de um compositor e também começaram a desvendar o mistério!



As crianças estavam bem desconfiadas e já está chegando a hora de ajudá-los a descobrir o que desejam!


Na segunda mediação, Bruna explica que colocará novamente a música “Nessun Dorma” de.... “Puccini”, gritam as crianças!

Entretanto, ela explica que colocará em duas situações diferentes e eles terão de observar as semelhanças e diferenças.

Bruna mostra um cartaz. As crianças lêem rapidamente... “O que é ópera?” “O que tem na ópera?”

Bruna: “Vocês já falaram muitas coisas que tem na ópera.”

Joaquim: “Tem orquestra!”

Camily: “O que o Puccini tem haver com a China?”

Joaquim: “Deve ser uma obra dele.”

Camily: “Será que lá na China eles gostam de ópera?”

Bruna coloca novamente a orquestra tocando “Nessun Dorma” e depois o trecho da ópera “Turandot”, em que aparece a música “Nessun dorma”. Quando termina, Bruna colhe as impressões das crianças:

Thifany: Eu vi que são dois homens diferentes cantando. Em cada vídeo é um.

Rafaela: “Não vi o maestro no segundo vídeo.”

Júlia: No segundo vídeo ele fica parado. No primeiro o homem fica parado até o show acabar e no segundo ele fica andando.

Camily: “Os instrumentos estavam escondidinhos em outro lugar. Não estavam aparecendo.” No primeiro, a orquestra estava junto do cantor.”

Thayla: “Eles não estavam no mesmo lugar.”

Maria Isabel: “A música era a mesma.”

Ana Beatriz: “Eu ouvi os instrumentos, mas não vi”

Joaquim: “Os cenários são diferentes. No segundo é um teatro.”

Julia: “Esse vídeo está ‘de noite’ no outro não.”

Anna Lívia: “Não era a mesma tela. O lugar era diferente.”

Camily: “No segundo a luz estava apagada.”

Joaquim: “Nos dois tinha uma orquestra.”

Camily: “O homem estava com uma roupa diferente.”

Joaquim: “Ópera é misturado com orquestra”

Joaquim: “Opa, volta lá e mostra o cartaz do Puccini que eu acho que eu já sei de qual se trata.”

Bruna retoma as falas e mostra uma caixa com diferentes palavras. Vamos ver o que tem em uma ópera?

Bruna: “Alguém disse a palavra TEATRO. Vamos ver se aqui tem a palavra teatro?

E assim foram recapitulando as falas e buscando as palavras na caixa. Até que descobrem tudo o que há numa ópera: teatro, dança, orquestra, emoção, música... Depois, Bruna mostra algumas tiras com palavras para que organizassem o sentido e enfim conseguissem formar o conceito de ópera.

“Ópera é um drama(teatro), acompanhado por uma orquestra em que os diálogos são cantados.”

E, enfim, todos ficam satisfeitos e Joaquim volta ao cartaz de Puccini e diz logo: "É uma dessas que nós vamos conhecer porque tem a ver com a China!"



Alunos fazendo a relação entre os vídeos assistidos





 Ufa!!!! Até que enfim!!! Posso afirmar que nessa altura do trabalho as crianças estavam completamente integradas ao trabalho que começou em agosto. Os próximos passos serão os seguintes: conhecer a obra e depois dramatizá-la.









terça-feira, 3 de novembro de 2015

A “Operação Bu”



A escola toda está usando a mesma metodologia de trabalho para chegarmos ao trabalho com a Ópera. Tenho conversado com as regentes e é muito interessante e especial o entusiasmo de todas elas e das crianças. Sempre alguém vem feliz e entusiasmado com algum comentário ou com a descoberta de um aluno.

Geruza, a professora do 5° ano, relatou que seus alunos resolveram descobrir tal mistério que ronda a escola.

Eles resolveram criar a  “Operação Bu”, que consiste em escrever tudo o que estão vivenciando em sala de aula com a regente e com outros professores, como Inglês, Artes e Casa de leitura, para tentar estabelecer relações e chegar a uma lógica entre França e um tal de “Fantasma” que leram no pendrive da professora.

Muito interessante perceber como os alunos estão utilizando a escrita como forma de organização do pensamento. Adorei!!!!!!




segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Girassóis

Na semana, lemos o livro “O pote vazio”, de Demi, da Editora Martins Fontes.
__ E lá vem história chinesa, hein, gente?! Afirma Camily

Para quem não conhece, o livro conta  a história de um menino chinês chamado Ping, que adorava e cultivava muitas flores.

Para herdar o trono do Imperador, este resolve distribuir sementes a todas as crianças do reino e diz: “Quem provar  que fez o melhor possível dentro de um ano, será meu sucessor!”

Ping não consegue cultivar nada com aquela semente. As outras crianças chegam com lindos vasos de flores. Ping ficou envergonhado com seu trabalho, mas ao vir seu vaso, o rei se enche de alegria e encontra seu real sucessor, pois todas as sementes entregues às crianças estavam queimadas, portanto, somente Ping era verdadeiro.

Até o final da leitura, todos achavam que Ping ia conseguir fazer a germinação da planta, mas no final, viram que essa história é uma lição de vida. Conseguiram compreender que a verdade vem acima de tudo. Todos quiseram desenhar alguma parte da história.






Depois, os alunos leram um texto informativo que afirma que o girassol é um símbolo chinês de amizade e camaradagem. A semente sempre serviu de alimento para o povo, inclusive nos tempos mais difíceis.





Eles ainda conheceram a obra de “Ai Weiwei”, artista chinês, que junto a um grupo de artesãos, criaram, em porcelana, milhares de sementes de girassol para uma exposição em Londres.





No Canto de São Francisco, as crianças plantaram sementes de girassóis para observarem o crescimento da planta.  


Lília, coordenadora da escola, presenteou a turma com sementes de girassol para que experimentassem. Todos acharam que o gosto é bem parecido com o amendoim.



Na aula de artes, com a professora Talita, os alunos estão conhecendo um pouco da obra de Vincent Van Gogh. Lá, eles ouviram a história do livro "Érica e os girassóis", de James Mayhew, da Editora Moderna. Ainda fizeram releituras dos quadros.








Em breve, mais novidades!
Ana Antunes


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Diferentes estratégias

Durante a semana, trabalhamos com situações-problema, cujo tema foi o chá. Eram dois: um do campo aditivo e outro multiplicativo.

As crianças já sabem que precisarão colocar suas estratégias no papel. Já sabem que terão que pensar numa forma para resolver o problema. Antes, os alunos ficavam um pouco perdidos, pois não sabiam como começar. Eu resolvi investir na divulgação e exploração das diferentes estratégias de resolução. Como é que cada um conseguiu alcançar a resposta. No início, é difícil sim, mas com o passar do tempo, cada um compreende que tem um jeito de resolver. E eles sabem que esses jeitos serão compartilhados no grupo. Então, criar soluções diferentes, virou uma motivação.

Primeiro problema:

Numa caixa de chá há 10 saches. Quantos saches há em 5 caixas?

utilizando recurso pictórico e contando de 10 em 10

Utilizando recurso pictórico e contando de 1 em 1

contando de 10 em 10 e utilizando simbologia matemática

 No final,  questionei qual a melhor forma de realizar o problema. Todas as crianças disseram que contando de 10 em 10 era melhor. Eles explicaram que contando de 10 em 10, a possibilidade de erro é muito menor. De 1 em 1, há uma grande possibilidade de errarem na contagem.

Segundo problema:

A professora Ana comprou uma caixa de chá de erva doce com 15 saches. Ela já usou 7 saches. Quantos sobraram?

utilizando recurso pictórico

utilizando simbologia matemática

recurso pictórico e matemático

Esse último caso foi bem interessante. Quando observei a estratégia, não compreendi os palitos desenhados. Resolvi questionar a aluna como havia pensado para realizar o problema. Ela me disse que na mão só tinha 10 dedos, então resolveu colocar 5 palitos para formar os 15. Depois, tirou sete dedos, sobrou 3 e somou com os 5 palitos, totalizando 8. Que maravilha foi ouvir isso!


Ah! O mais interessante: ninguém pergunta se é de mais ou de menos! Isso porque o jeito de resolução é livre. O que vale aqui é o raciocínio! E como se tem raciocínio diferente. É importante permitir!!!

No Caderno de Apresentação de Matemática. há um texto chamado "A criança e a Matemática escolar", de Carlos Roberto Vianna e Emerson Rolkouski, que fala bastante dessa possibilidade de respeitar as formas de pensar das crianças. Vale a pena ler e mais: vale a pena tentar!

Ana Antunes

domingo, 30 de agosto de 2015

"Sua Alteza a Divinha"

 
A leitura de “Turandot” se aproxima, pois os alunos já conseguirão, na semana que vem, compreender a relação entre ópera e orquestra e construirão o conceito de ópera.

Resolvi trazer uma caixa surpresa bem interessante: Um livro de Angela Lago com uma trama parecida com a de Turandot: “Sua Alteza a Divinha” e também algumas palavras-chave.

 

O livro conta a história de Louva-a-Deus, um homem religioso, que deseja tentar a  sorte, elaborando e respondendo três adivinhas da princesa. Se  acertasse, teria o privilégio de casar-se com a princesa. Caso contrário, forca!
Levei para a sala de aula, alguns chocalhos da Casa de Leitura e os distribuí entre as crianças, após a leitura das palavras. À medida que a palavra-chave fosse dita, os alunos teriam que fazer “barulho”!

Felicidade geral quando "Louva-a-Deus" acerta a última adivinha e casa com a princesa

Foi muito empolgante, pois desde o início da leitura, os alunos a-do-ra-ram a história! Fiquei muito contente, pois essa é a trama chave da parte literária da nossa ópera.

No final, a grande pergunta: “Mas se todas as caixas surpresas se relacionaram com a China, o que essa teria  em comum?”

__ Será que o livro foi feito na China? Pergunta Joaquim.

Reli o nome da Editora: RHJ e o endereço contido no livro. Eles concluíram que não era.

__ Será que a autora é chinesa? Pergunta Camily.

Reli o nome da autora do livro: Angela Lago.

Eles logo disseram que ela não poderia ser chinesa com esse nome.

__ E se essa história for uma lenda contada na China? Reflete Maria Luiza Costa.

__ Hum.... Será?
 

__ Mais um mistério!

A orquestra

Hoje, a mediação na Casa de Leitura com a Bruna foi uma belezura! Nós, professoras, saímos muito contentes, mas os alunos... Hum, esses  ficaram com muitas pulgas atrás da orelha. “Essas professoras querem pegar a gente!”


A mediação começou com uma chamada: eles ouviriam uma música e cada um teria que dizer o que  conseguiu ouvir.  A música escolhida foi “Nessun Dorma”, da ópera “Turandot”. Isso tudo para preparar as crianças a refletirem um pouco mais sobre o conceito de ópera.

Foi muito interessante! Primeiro a música que é muito impactante. Alguns riram, mas outros acompanharam com atenção. Kaique passou o tempo todo “cantando” a música: um espetáculo! Segundo, que as crianças falaram coisas bem coerentes e conseguiram identificar sons de vários instrumentos. O primeiro instrumento citado foi o violino. Depois vieram outros, como: flautas, pianos e até violoncelos. Kauã disse que ouviu um “homem gritando”. Logo, logo, foi corrigido pelos colegas: “Não, isso é um homem cantando.” Nathália disse ter ouvido várias pessoas cantando e eles chegaram à conclusão de que ora muitas pessoas cantavam, ora apenas um homem.  A atividade foi muito boa. Falaram sobre coisas que apenas tinham ouvido, e também de suas impressões.

 

 

Em seguida, Bruna disse que iria mostrar o vídeo  da música e eles teriam que identificar o que falaram. Quando apareceu a primeira imagem, era de uma ORQUESTRA. Catharina e Erick foram logo dizendo: “Olha aí, isso que é ópera!” Thifany dispara: “Olha ali as notas musicais.” Ao longo do vídeo, foram ficando mais felizes, pois identificavam os instrumentos, o coro, o “tal homem” que cantava. Bruna chamou a atenção para o “homem” que regia o grupo de cantores e músicos. Eles perceberam o “pauzinho” que ele utilizava. Catharina disse que  aquele “homem” era o MAESTRO.  No final do vídeo, todos aplaudiram a apresentação e estavam muito interessados.





Bruna mostrou várias imagens para os alunos em um glossário. Eles relacionaram as imagens ao que viram no vídeo e, assim, foram conhecendo os nomes das coisas que viram: maestro, partitura, notas musicais, batuta, coro, músico, instrumentos e ORQUESTRA! No  final da aula, estava claro para eles, sem que precisássemos falar, que ORQUESTRA, como eles vinham se confundindo, não era ópera! Lógico que na ópera tem orquestra, mas eles estavam pensando que a própria orquestra era ópera. Na próxima aula, teremos grandes novidades.







Já em sala de aula, voltamos ao quadro de hipóteses dos alunos sobre “O que é ópera?” Eles foram descartando todas as que se referiam a palavras que remetiam à ideia de orquestra.

Os comentários foram bem interessantes:

___ Será que nossas mães nos enganaram?

___ Vou ter que começar a pesquisar mais.

___Vou perguntar para o meu pai, pois ele é bem espertinho.

Foi, para eles, uma sensação de “balde de água fria”. Na verdade foi uma desconstrução para que nas próximas  mediações, através  de suas próprias reflexões,  possam compreender a diferença entre orquestra e ópera. E, enfim, saber o que é uma ópera.

Isso tudo dá um trabalho.... Mas perceber os alunos aprendendo verdadeiramente e de forma ativa, sem despejar um monte de conceitos neles é uma felicidade para um educador.

No dia seguinte a essa mediação, houve crianças que quiseram pesquisar o conceito de ópera com seus pais. Antes, estavam bastante confortáveis em suas hipóteses, pois todos resolveram trocar de opinião e dizer que ópera era música clássica ou orquestra. 

 Com isso, muitas chegaram com papeizinhos escritos com definições buscadas na internet ou no dicionário, sem que pedíssemos essa pesquisa. O que mostra a curiosidade das crianças. Isso é uma maravilha!